terça-feira, 28 de janeiro de 2014
COXINHAS, ÀS RUAS!
As pessoas me perguntam: haverá manifestações este ano? Sim, haverá, mas com caráter absolutamente diferente das que ocorreram em junho do ano passado. E por quê? Porque desta vez elas serão organizadas pelas (EXTREMA) direita e esquerda político-partidárias deste país, que congrega os de sempre, com a ajuda poderosa da imprensa golpista-corporativa e de organizações estrangeiras que desejam retomar o poder a qualquer custo. Os alvos cristalinos serão o PT, a Dilma, e ele – sempre ele – Luís Inácio Lula da Silva.
E o que essa rapaziada coxinha quer? Melhores serviços públicos, austeridade nos gastos com a Copa, mobilidade urbana? Nada disso mesmo. Essa rapaziada odeia serviço público, não o usa, o negócio é exclusividade. Exclusividade nas tetas do Estado: ‘mamo eu, só eu’, dizem os incautos que adoram um liberalismo no fiofó dos outros. Eles vão protestar na porta do Maracanã, com seus ingressos devidamente comprados, se não forem cortesias das multinacionais ou da própria Globo. Ônibus, metrô? Essa rapaziada não os usa também. Seus carros ficam em algum edifício-garagem superprotegidos dos “vândalos”.
Os coxinhas gostam da rua quando devidamente pautados pela revista Veja. Lá eles se veem, do jeitinho que gostam ser vistos: com aquela luz perfeita que só aquele fotógrafo sabe captar e o editor escolher. Tudo a serviço do Brasil, do Brasil de Higienópolis, Barra e, no máximo, Trancoso ou Porto Seguro. Embora eles queiram mesmo é Miami. Sofrem, porque o Tio Sam ainda não anexou o Brasil ao seu paraíso. Imagina, bugiganga boa não é da Saara e nem da 25 – e muito menos de Alcântara -, só de Miami. Por isso os coxinhas precisam derrubar esse governo de merda que igualou o IOF nas compras em Miami. Ora! se até o Barbosão comprou Ap em Miami... É a glória! Barbosão vai derrubar o IOF e ninguém vai dizer que legisla por conta própria.
Os coxinhas vão pra rua porque realmente acreditam que todos querem ser iguais a eles. Ha, ha; não conhecem o Brasil...
Texto publicado originalmente no Jornal O Guarda. DEZEMBRO DE 2013.
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
LIQUIDAÇÃO: TUDO A R$ 1,50 FREGUESA...
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| Se corre o bicho pega. Se fica, come... |
Um fantasma ronda o governo: o fantasma dos R$ 1,50
Todos os prefeitos e governadores estão acuados. Sim, eu falo daqueles que em todo o Brasil foram pressionados pelas manifestações de junho a baixar a tarifa dos ônibus em suas respectivas cidades e estados. Frise-se, que o fio condutor dessas Jornadas de Junho foi justamente a questão da mobilidade urbana exposta pelo Movimento Passe Livre, primeiro em São Paulo, e depois irradiado para todo o Brasil.
São Gonçalo e os gonçalenses, claro, não ficaram de fora dos protestos, foram pras ruas e exigiram do governo, mesmo que tardiamente - a tarifa na cidade subiu de R$ 2,60 para R$ 2,80 em decreto da então prefeita Aparecida Panisset nos últimos dias de seu governo, ainda em 2012 - a redução do preço da passagem nesta freguesia. Porém, o drama político do prefeito Neilton Mulin não se resumia apenas aos 20 centavos da grita geral no país, mas aos R$ 1,50 de tarifa fixa prometida na campanha que o elegeu em outubro de 2012.
Quis o destino que a maior bandeira de luta de transformação na atualidade se centrasse nos problemas urbanos de mobilidade, como qualidade e diversidade do transporte público oferecido à população, alternativas concretas para pôr fim aos insuportáveis congestionamentos e, claro, saber se é legítimo e viável precificar os deslocamentos; neste caso, saber se é possível ou não zerar a tarifa do transporte a fim de fazer valer - pra valer - o direito constituiconal de ir e vir.
No caso do nosso prefeito, o destino pode ter sido ao mesmo tempo generoso e inclemente. Eu explico: afora outros fatores terem sido importantes para a vitória de Mulim, não resta dúvida que suas propostas para a mobilidade urbana tiveram forte apelo junto ao eleitorado, faça ver a reorganização e regularização do transporte alternativo (vans) e, claro, a passagem a R$ 1,50. Pressupõe-se que sua equipe já tinha ou vinha elaborando um plano de ação para essas duas propostas de governo; propostas, que é bom registrar, que só poderiam se tornar efetivas no ano fiscal subsequente ao seu primeiro ano de governo, ainda amarrado ao orçamento do mandatário anterior.
Mas não existe almoço grátis. Estudos preliminares apontam que para chegar aos R$ 1,50, a prefeitura teria que subsidiar o restante do valor de seu apertado orçamento, papo de 182 milhões de reais. Isso não é pouco, querido leitor, é algo em torno de 18% do orçamento atual que é de R$ 1 bilhão. É justamente aí que a porca enrosca o rabo e traz o governo para o árido mundo dos números. Se politicamente essa proposta no início fora bem sucedida, economicamente ela se mostra inviável num momento histórico sensível não só ao governo gonçalense, mas a todos os governos no Brasil.
Tradicionalmente, como você sabe muito bem, as tarifas sofrem reajustes entre o final e início do ano. Prefeitos e governadores se encontram numa situação dificílima e duvido que queiram reviver tudo novamente do que aconteceu em junho, mesmo que para isso façam sangrar os cofres públicos com subsídios ao empresariado de ônibus. Mas mesmo Neilton Mulim não aumentando a tarifa nesta freguesia, o assombrará, durante todo o seu mandato, o fantasma dos R$ 1,50. Será o destino inclemente com este governo promissor que apenas começa?
Exercícios de futurologia são o esporte preferido dos falastrões, que talvez falem mais por torcida do que por ciência dos fatos. No meu entender o prefeito está sendo negligente com esta bomba-relógio no seu colo. O seu staff não está levando muito a sério o que ocorreu em suas barbas, nas escadarias da prefeitura em junho. Há aqui na cidade políticos que acreditam que as manifestações se deram mais por adesismo juvenil, por um arroubo adolescente. Se assim pensa a equipe de governo do prefeito, a coisa degringola.
Penso que desarmar essa bomba é criar um canal de comunicação permanente com a sociedade sobre o tema. Isso é educar, é incluir, é fazer cidadania na veia. Não votei no prefeito, mas o admiro. E sei que ele vem fazendo de tudo para que esta freguesia se desenvolva e aproveite ao máximo os bons ventos que vêm de Brasília, sobretudo na área de infraestrutura. Podemos chegar aos R$ 1,50 como meta, atrelando-o ao crescimento do orçamento da cidade e ao parcelamento da sociedade como beneficiária. Aí sim é possível chegar ao prometido. O resto é uma perigosa lorota. Lorota que será difíciul sustentar até 2016.
terça-feira, 2 de julho de 2013
A PRIMAVERA JUNINA
Interessante análise de um petista filiado e atuante...
Considerações sobre o declínio dos discursos libertários
Por Maurício Mendes de Oliveira.
Na edição do Jornal “O Globo” do dia 22 de junho de 2013, o colunista Luiz Eduardo Soares escreveu um artigo, opinando sobre as surpreendentes manifestações populares que sacudiram o Brasil no mês de junho. Perplexo, como todos os formadores de opiniões, ele em suas linhas emitiu o seguinte parecer:
“O desconhecido tende a suscitar em nós reações defensivas e explicações que funcionam como a confirmação do que já se sabe - ou se supõe saber. Se o propósito é conhecer, devemos buscar, com humildade, a compreensão auto-reflexiva e a desnaturalização das descrições correntes. Até porque todo esforço de entendimento também é uma ação política.”
Essa reflexão é preliminar. Sim isso mesmo, preliminar, pois ele mesmo tem dúvidas sobre o real significado dessas manifestações sociais, que pela primeira vez, não contou com a liderança de partidos políticos, sindicatos e mesmo outras entidades da sociedade civil, ou melhor, corrigindo, foi mobilizada por setores de uma possível “nova sociedade civil organizada”, que se auto-mobiliza via internet, ou mais especificamente, via redes sociais. Essa “Primavera Junina” iniciou-se na megalópole paulista para reivindicar a revogação no aumento das passagens de ônibus e logo ganhou as outras capitais do país e as cidades importantes do interior do Brasil, com múltiplas demandas além do preço das tarifas de transportes.
Considerando que por décadas os sindicatos jamais conseguiram viabilizar uma autêntica greve geral, tal mobilização popular se configura em um fato absolutamente novo, um tanto quanto obscuro, tendo em vista que sou de uma geração que cresceu sob a censura que o regime castrense nos impôs por muito tempo. Por não ter vivido enquanto adulto os “anos de chumbo”, sobrevivi para participar do movimento pelas “Diretas já” em 1984; acompanhar o processo para a constituinte em 1988; mais uma vez participar de mobilizações de rua em 1992 pelo “impechement” de Fernando Collor e assistir a ascensão do neoliberalismo e consolidação do Plano Real em 1994, já nos tempos de FHC.
Na qualidade de cidadão politizado (e não “político”, pois é preciso ter “estômago” para tal) e bem consciente das manobras conservadoras das elites brasileiras para se manter no poder, eu achei muito estranho os partidos políticos e sindicatos não estarem à frente dos movimentos reivindicatórios. Achei mais estranho ainda a mídia - tradicional porta voz das classes dominantes - estarem apoiando (num segundo momento) as lutas populares, com o requinte de diferenciar os manifestantes “ordeiros” dos “baderneiros”. Achei igualmente inusitado, o fato das demandas do povo brasileiro serem apoiadas por patrícios que moram nos países centrais, e mesmo, por cidadãos dos EUA e Europa Ocidental, que, digam-se de passagem, sempre nos enxergaram enquanto uma “exótica”, e outras vezes, uma “desprezível” periferia.
Essas súbitas contradições me levaram a uma avaliação preliminar, que de certa forma, foi na contramão dos acontecimentos: imaginei que era uma série de mobilizações orquestradas por segmentos de direita, com o fim de enfraquecer de alguma forma o governo federal. E porque tal raciocínio? Recordando. Eu fui crescendo observando as formas que os meios de comunicação manipulam as massas, em particular, a Rede Globo de televisão que em pleno processo de redemocratização nos anos 1980, ajudou a derrotar Darcy Ribeiro e eleger Moreira Franco para o governo do Rio de Janeiro, e também, derrotar Lula e eleger Fernando Collor na disputa presidencial de 1989. Pode ser uma lógica simplória, mas coerente com esses precedentes.
Todavia, já atingi uma idade suficiente e adquiri instrumentais teóricos para não me deixar seduzir por considerações maniqueístas, pois como bem assinalou Luiz Eduardo Soares, ”todo o esforço do entendimento também é uma ação política”. Assim, esse esforço para a compreensão do que há de velho e de novo nessas mobilizações populares (além é claro do uso das redes sociais), me revela que um mosaico de reivindicações antigas como o combate a corrupção, melhor qualidade na saúde, melhor qualidade de ensino, contra a PEC 37, contra a homofobia, pela reforma agrária, pela democratização da mídia, contra os gastos excessivos e suspeitos dos eventos esportivos, estão lado - a - lado com neofascistas que criminalizam os partidos políticos e sindicatos, além de “baderneiros”, que vão de skinheads até marginais comuns, que somente reivindicam o crime e o terror como filosofia de vida.
Confesso também que caí na tentação preconceituosa de achar que esse movimento fosse mais um “chilique” da classe média, assustada com a volta da inflação, e que de tempos em tempos, bota a “boca no trombone” através dos seus “sarados mauricinhos” e “glamourosas patricinhas”, que vem introduzindo uma espécie de “português cibernético” entre BJS e KKK. Mas não era só isso. A Primavera Junina vem revelando que os outrora tradicionais canais de mobilização como os partidos políticos e sindicatos estão em crise, ou seja, tais acontecimentos vêm indicando que eles estão perdendo legitimidade junto à sociedade civil organizada, que talvez, esteja ocorrendo silenciosamente há uma década, e me parece, que os seus “combativos quadros” não souberam detectar.
E se assim for, tal sintoma aponta para o declínio do discurso libertário proferido pelo Partido dos Trabalhadores e outros partidos de orientação marxista, que de alguma forma, não souberam dar respostas a sociedade que eles se propuseram a transformar. O intelectual italiano Antonio Gramsci em sua obra “Os intelectuais e a formação da cultura”, se atendo a esses segmentos no mundo, escreveu que na América latina, os intelectuais somente sairiam de dois segmentos específicos: as aristocracias rurais e castas militares. E ele estava absolutamente certo. Vejamos: o pioneiro da historiografia marxista no Brasil Caio Prado Júnior era filho de cafeicultores paulistas; Gilberto Freire, formulador da tese da democracia racial brasileira, era filho de usineiros em Pernambuco, e ainda entre nós, Fernando Henrique Cardoso tem sua origem em uma família de militares.
Na verdade, a direita e a esquerda são de uma forma geral, a face de uma mesma moeda. Sacrilégio? De forma alguma. Eu explico: se a direita sempre enxergou o povo enquanto uma “massa ignorante” que só servia para prestação de serviços a preço barato ou como eleitores para mantê-los no poder político, a esquerda os enxerga como uma “massa alienada e despossuída” que deve ser educada politicamente para ser conduzida a um processo “revolucionário”, ou seja, o desprezo com aqueles que tiveram acesso precário a educação (ou simplesmente não tiveram) é essencialmente o mesmo,e dessa forma,os indivíduos economicamente falhos e com uma formação escolar deficiente são vistos por ambos os lados como “massas de manobra” ou “garrafas vazias” para algum tipo de uso político,ainda que com enfoques diferenciados.
Assim,quando em 2003 a “esperança venceu o medo” e Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a presidência da república,abriram-se perspectivas de rompimento com cinco séculos de exclusão social e quase dois séculos de um modelo de estado nacional artificial voltado ao atendimento de interesses de poucos. E realmente, ocorreram avanços significativos: a instituição definitiva dos Conselhos Setoriais Municipais prometia abrir um canal interativo entre estado e sociedade civil organizada; o programa “Bolsa Família” contribuiu para a resolução do problema da fome que sempre foi endêmica no Brasil; o programa “Minha Casa Minha Vida” prometia ao menos diminuir o problema do déficit habitacional produzido pela urbanização acelerada - e o mais importante - ocorreu à emergência de uma nova classe média.
O problema é que fui percebendo que para viabilizar todos esses avanços pontuais, o Partido dos trabalhadores se sujeitou a uma escalada de alianças ditas “estratégicas” (sobretudo com o PMDB) para se sustentar no governo, cujo leque aumentou tanto, que culminou em acordos com setores dos mais reacionários e venais da política brasileira, como exemplo, o Deputado Federal Roberto Jeferson, que denunciou o episódio do “mensalão” comprometendo vários proeminentes do PT e quase derrubando Lula da Presidência da República. Para se manter no governo e lutar pela reeleição, foram firmados mais concessões, mais acordos, mais conchavos - sempre vistos como “estratégicos” - que foram igualando o PT aos partidos comuns, enquanto uma dissidência fundava o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) aumentando ainda mais a “pulverização” dos partidos de orientação marxista.
Nesse contexto, o PT adere à velha prática consagrada pela direita após a segunda metade do século XX: o “Panis et circensis” ao se candidatar,vencer e abrigar a Copa das Confederações em 2013,a Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016.A idéia que o Brasil passara a outro patamar por sediar esses eventos,ou melhor,por ser um dos principais membros dos países emergentes (também conhecidos como BRICS) e por estar seguindo uma política externa com relativa soberania, lhe credenciava a promover esses eventos de vulto,mostrando ao mundo uma nova potência regional no Hemisfério Sul.Enquanto isso,a violência policial grassa nas grandes aglomerações urbanas,o narcotráfico e milícias continuam aterrorizando a população e a degradação ambiental continua e avança tanto nas cidades quanto no campo.
Mas o continuísmo não termina aí e contribui para a silenciosa e lenta desmoralização do governo: os Conselhos Municipais não funcionam, pois ao invés de serem um canal de interação entre estado e cidadão, tornou-se um centro de cooptação de lideranças comunitárias e fonte de renda de ONGs desonestas; o Bolsa Família se solidificou como um mero paliativo e passou a ser objeto de “barganhas” políticas ( e religiosas também) ao nível local,bem como, o programa Minha casa Minha Vida vem seguindo o mesmo caminho.O curioso é que o PT tornou-se nesse período um “partido de massas” graças a filiação de um número incalculável de carreiristas e fisiológicos, cujos “espectros”,se beneficiam com cargos comissionados e verbas para as suas entidades com pouca ou nenhuma representatividade junto as suas ditas comunidades.É muito comum setores importantes como as Secretarias Municipais voltadas ao Meio Ambiente,serem dirigidas por “boçais” que acumulam cargos no estado e no partido.
Tudo isso, vem minando a credibilidade do PT junto à população, sobretudo perante aos formadores de opiniões como alguma idade, já cansados de um discurso panfletário e pouco propositivo (como eu), pois afinal de contas, ouço diariamente referências ao Partido dos Trabalhadores como o “partido da boquinha”, termo imortalizado por Antony Garotinho e reproduzido com sucesso por lideranças comunitárias sem muita alternativa (honesta) de atuação em suas cidades. Além disso, há uma juventude que se organiza nos “Facebook”, ”Twiteres”, ”Orkuts”, ”Youtube” e outros meios para conversar de tudo. Inclusive política. Trata-se de jovens que não conheceram um PT combativo e uma esquerda propositiva - e perigosamente também - não conheceram a ditadura militar e suas mazelas.
Por isso, o que me preocupa não é a falta de lideranças (pois as velhas e atuais que estão visíveis carecem de legitimidade), e sim, esse vazio de segmentos claros que organizam as manifestações, pois estes, podem se direcionar tanto a esquerda (espero que, empreendedora, propositiva e programática) ou à direita (os atuantes fundamentalistas cristãos ou os tímidos neo-militaristas). Em seu artigo, Luiz Eduardo Soares adverte sobre isso na seguinte reflexão:
“O movimento dependerá da capacidade de não confundir rejeição ao atual sistema com a recusa da democracia (...)”
Como bem lembrou a Presidenta Dilma, muitos foram presos, torturados e mortos para que ocorram hoje essas manifestações populares, no entanto, os dirigentes sérios do Partido dos Trabalhadores - bem como dos demais partidos de esquerda com alguma competitividade real como o PSOL - devem fazer uma profunda reflexão se valeu a pena “dançar conforme a música”, e fazer também, uma sincera autocrítica sobre as alianças que foram feitas nos últimos dez anos e romper com esses segmentos enquanto ainda há tempo.Deve apontar firmemente para a realização do plebiscito para ouvir de verdade as demandas do cidadão brasileiro e potencializar a TV Pública e os meios midiáticos sob controle do governo federal,pois na minha ótica, esse “vácuo político-social” está sendo apropriado por setores altamente conservadores que pode inclusive culminar em algum tipo “novo” de golpe de estado. Sim, isso mesmo.Não aquela “quartelada” clássica dos tempos da Guerra Fria,onde o presidente era deposto para dar lugar a um “Gorila’,mas um golpe via congresso,cuja ferramenta,podem ser as redes sociais.Lembrem-se: as redes sociais mobilizam,mas nem organizam e muito menos politizam.
E por fim, enquanto cidadão politizado - que como a maioria dos brasileiros detesta os “políticos” - tenho de reconhecer que se avançou muito nas melhorias sociais, mas insisto em afirmar que não é suficiente: eu aspiro por uma sociedade baseada no respeito às leis, onde haja espaço para o cidadão trabalhador, honesto e empreendedor e não uma sociedade onde a corrupção, a “malandragem” e a esperteza deletéria sejam vistas como virtudes,que infelizmente,o PT adotou nos últimos dez anos.
domingo, 9 de junho de 2013
COLABORADORA NOVA!
Nem sempre é a razão que governa as nossas ações, e isso nos dias em que vivemos, percebe-se então claramente a sua afirmação.
Hoje a busca incansável pelo prazer imediato levou a uma total banalização do sexo. Meninas e meninos rotulados como coisas, precisando de coisas para se auto-afirmarem, são o reflexo da sociedade na qual você só tem valor pelo o que se possui e não pelo o que você é.
Sou de uma geração em que o valor de uma pessoa estava em seu bom caráter, dignidade, honestidade e coragem. Eu não preciso de muito para ser feliz, pois tenho internalizados esses valores. E quais valores estão internalizados em você?
A MISÉRIA DA CULTURA EM SG
Os agentes culturais daqui vivem a miséria própria de uma composição econômica e política frágeis, em que praticamente inexiste organização social atuante, contraponto natural aos humores do poder, do governo. Os poucos ativistas culturais, como agem desorganizados, são facilmente cooptados pela estrutura de governo para servi-lo, e, se dispõem de uma legenda partidária, atuam seguindo interesses pessoais visando valorizar o seu passe nas próximas eleições para sair ou não como candidatos a um cargo público ou mesmo subir na hierarquia de poder que já ocupam.
Desta forma, é impossível sair dos esquemas de compadrio e favorecimento ao grupo que o sustenta. É um ciclo vicioso de difícil superação, já que a própria secretaria de cultura e a FASG não têm uma orientação técnica, que vislumbre as possibilidades amplas e integradas de atuação, coisa que poderia ser implementada com a simples contratação de profissionais efetivos e especialistas na área. Os esforços da secretaria visando sua profissionalização à miúde partiram de exigências externas, sejam do governo federal ou do estado, mas jazem incompletas e viciadas, orientadas apenas a atender uma clientela pequena e difusa. Isso faz com que, por exemplo, esta freguesia seja irrelevante em iniciativas para a área.
O Sistema Municipal de Cultura, veja bem, mofa na Câmara de Vereadores esperando apreciação. Há interesse em pô-lo a funcionar? Não. Pelo menos por parte do governo (qualquer um) e mais ainda daqueles que compõem a própria secretaria, já que o SMC normatiza e estabelece deveres do governo frente ao financiamento da cultura, racionaliza a sua estrutura funcional e impessoaliza as relações dos entes culturais - pelo menos em tese -, o que desmontaria seu arcabouço de poder e de controle atual. Bom, isso vai mudar? Não. Não há organização e vontade políticas para isso.
Desta forma, é impossível sair dos esquemas de compadrio e favorecimento ao grupo que o sustenta. É um ciclo vicioso de difícil superação, já que a própria secretaria de cultura e a FASG não têm uma orientação técnica, que vislumbre as possibilidades amplas e integradas de atuação, coisa que poderia ser implementada com a simples contratação de profissionais efetivos e especialistas na área. Os esforços da secretaria visando sua profissionalização à miúde partiram de exigências externas, sejam do governo federal ou do estado, mas jazem incompletas e viciadas, orientadas apenas a atender uma clientela pequena e difusa. Isso faz com que, por exemplo, esta freguesia seja irrelevante em iniciativas para a área.
O Sistema Municipal de Cultura, veja bem, mofa na Câmara de Vereadores esperando apreciação. Há interesse em pô-lo a funcionar? Não. Pelo menos por parte do governo (qualquer um) e mais ainda daqueles que compõem a própria secretaria, já que o SMC normatiza e estabelece deveres do governo frente ao financiamento da cultura, racionaliza a sua estrutura funcional e impessoaliza as relações dos entes culturais - pelo menos em tese -, o que desmontaria seu arcabouço de poder e de controle atual. Bom, isso vai mudar? Não. Não há organização e vontade políticas para isso.
A VERGONHA PERDIDA
Texto esse que faz parte de minha página no jornal O Guarda. Boa leitura.
***
“Tortura no Brasil? Foram só umas unhazinhas arrancadas.” Lobão falou isso, e tem muita gente, como ele, que perdeu a vergonha. Esse absurdo do Lobão é festa na Globo, Veja etc., corporações de mídia que há muito deixaram de lado a verdade factual para combater o mau combate: preservar a qualquer custo a iniquidade social e os seus privilégios na sociedade brasileira depois da subida ao poder do Partido dos Trabalhadores e de Lula, o alvo-mor a ser caído, tal como um anjo expulso por deus do paraíso.
Fazer troça com um dos períodos mais odiosos da nossa história não é apenas insensibilidade, é canalhice. Adjetivo que muito bem pode ser usado para interpretar a nossa sociedade, ou pelo menos parte dela, encastelada no topo da pirâmide econômica e cultural, apenas uma fração do que nós somos, mas fortes o suficiente para ressoar dos seus veículos de comunicação os seus valores e inclinações políticas. A atitude covarde de Lobão pode ter sido oportunista - ele promove o seu livro - mas encontrou eco e apoio nos grandes jornais e programas de TV sem espaço possível ao contraditório. Isso é sintoma óbvio de enfermidade de nossa democracia.
Os valores mesquinhos da elite brasileira se espalham por todas as classes sociais, se banalizam, são relativizados e criam monstruosidades de parte a parte. Vemos incrédulos uma epidemia de estupros contra mulheres à luz do dia ou à sombra da noite, resultado infame da cultura hedonista e de desvalorização da mulher desde os anos 90, em que ela própria é um objeto de consumo e símbolo do poder, do dinheiro, valor máximo da vida; vida forjada num ambiente de competição irracional pelo prazer a qualquer custo e permanente. Esse ambiente fez com que os freios sociais à patologia do estuprador desaparecessem. Hoje, segundo relatos, nem castigos existem mais na cadeia, onde nos reconfortávamos com a alheia “vingança”.
Os poderosos, desavergonhados até os ossos, jogaram às favas o pudor e a máxima de Catilina: “Não basta ser honesto, tem que parecer honesto”. Ministros do Supremo Tribunal Federal têm filha e esposa a serviço de uma grande banca de advocacia do Rio de Janeiro que, invariavelmente, tem no STF a instância final onde serão decididas suas ações. Um desvio ético relativizado pelos colunistas a mando de seus patrões. Mas nem mesmo considerações lemos ou ouvimos dos jornalões da chicana do julgamento do famigerado mensalão, que condenou réus ou com provas falsas ou forjadas; condenações sob medida à desforra das elites por não estarem no poder há 10 anos. O “maior caso de corrupção da história” (sic) virou a maior vergonha do judiciário brasileiro. Leia A Outra História do Mensalão, do Paulo Moreira Leite, por favor.
O sem-vergonhismo chegou às raias do inacreditável com economistas tucanos, de amplo espaço na mídia, que defendem abertamente o aumento dos juros e o desemprego como forma de controlar a inflação. Nunca ficou tão cristalino o ódio ao povo, o ressentimento e posicionamento criminoso das elites contra o País. Esse tipo de coisa só é possível graças a criação de uma realidade paralela que abriga uma porção da sociedade não integrada ao Brasil atual, que a detesta, saudosa dos seus privilégios e exclusivismos.
Nelson percebeu nos idiotas a modéstia perdida. Agora, podemos dizer que, além da modéstia, os idiotas também perderam a vergonha. No entanto, um idiota sem modéstia é inofensivo. Mas um idiota sem vergonha, com poder, faz um estrago danado.
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“Tortura no Brasil? Foram só umas unhazinhas arrancadas.” Lobão falou isso, e tem muita gente, como ele, que perdeu a vergonha. Esse absurdo do Lobão é festa na Globo, Veja etc., corporações de mídia que há muito deixaram de lado a verdade factual para combater o mau combate: preservar a qualquer custo a iniquidade social e os seus privilégios na sociedade brasileira depois da subida ao poder do Partido dos Trabalhadores e de Lula, o alvo-mor a ser caído, tal como um anjo expulso por deus do paraíso.
Fazer troça com um dos períodos mais odiosos da nossa história não é apenas insensibilidade, é canalhice. Adjetivo que muito bem pode ser usado para interpretar a nossa sociedade, ou pelo menos parte dela, encastelada no topo da pirâmide econômica e cultural, apenas uma fração do que nós somos, mas fortes o suficiente para ressoar dos seus veículos de comunicação os seus valores e inclinações políticas. A atitude covarde de Lobão pode ter sido oportunista - ele promove o seu livro - mas encontrou eco e apoio nos grandes jornais e programas de TV sem espaço possível ao contraditório. Isso é sintoma óbvio de enfermidade de nossa democracia.
Os valores mesquinhos da elite brasileira se espalham por todas as classes sociais, se banalizam, são relativizados e criam monstruosidades de parte a parte. Vemos incrédulos uma epidemia de estupros contra mulheres à luz do dia ou à sombra da noite, resultado infame da cultura hedonista e de desvalorização da mulher desde os anos 90, em que ela própria é um objeto de consumo e símbolo do poder, do dinheiro, valor máximo da vida; vida forjada num ambiente de competição irracional pelo prazer a qualquer custo e permanente. Esse ambiente fez com que os freios sociais à patologia do estuprador desaparecessem. Hoje, segundo relatos, nem castigos existem mais na cadeia, onde nos reconfortávamos com a alheia “vingança”.
Os poderosos, desavergonhados até os ossos, jogaram às favas o pudor e a máxima de Catilina: “Não basta ser honesto, tem que parecer honesto”. Ministros do Supremo Tribunal Federal têm filha e esposa a serviço de uma grande banca de advocacia do Rio de Janeiro que, invariavelmente, tem no STF a instância final onde serão decididas suas ações. Um desvio ético relativizado pelos colunistas a mando de seus patrões. Mas nem mesmo considerações lemos ou ouvimos dos jornalões da chicana do julgamento do famigerado mensalão, que condenou réus ou com provas falsas ou forjadas; condenações sob medida à desforra das elites por não estarem no poder há 10 anos. O “maior caso de corrupção da história” (sic) virou a maior vergonha do judiciário brasileiro. Leia A Outra História do Mensalão, do Paulo Moreira Leite, por favor.
O sem-vergonhismo chegou às raias do inacreditável com economistas tucanos, de amplo espaço na mídia, que defendem abertamente o aumento dos juros e o desemprego como forma de controlar a inflação. Nunca ficou tão cristalino o ódio ao povo, o ressentimento e posicionamento criminoso das elites contra o País. Esse tipo de coisa só é possível graças a criação de uma realidade paralela que abriga uma porção da sociedade não integrada ao Brasil atual, que a detesta, saudosa dos seus privilégios e exclusivismos.
Nelson percebeu nos idiotas a modéstia perdida. Agora, podemos dizer que, além da modéstia, os idiotas também perderam a vergonha. No entanto, um idiota sem modéstia é inofensivo. Mas um idiota sem vergonha, com poder, faz um estrago danado.
terça-feira, 23 de outubro de 2012
A CHAPA ESQUENTOU. TIREM AS CRIANÇAS DA SALA!
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| Na reta final o que vale é a paixão... |
Exausto leitor, vamos respirar fundo, contar até dez, que a eleição é logo ali.
Se alguém reclamou de um primeiro turno modorrento, eis que a atual fase da peleja nesta freguesia nos reservou fortes emoções em ambos os lados adversários.
Adolfo Konder (PDT), do alto de seus 17 pontos de vantagem no primeiro turno (obteve 42 contra 25 de Mulim) entrou, mesmo sem querer, numa perigosa zona de conforto, artificialmente ampliada após a adesão natural do PMDB estadual à campanha pedetista, mesmo desfalcado da candidata derrotada Graça Matos. Quem acompanha o blog sabe que já tratei do quadro de alianças antes e depois do primeiro turno. Konder, que já tinha os apoios no município e do governo federal, festejou, em grande júbilo, a conquista da "tríplice aliança" com a entrada entusiasmada do governo do estado na campanha.
As movimentações pedetistas deixaram Neilton Mulim (PR) isolado, sendo obrigado a se servir do que tinha à mão no mercado eleitoral gonçalense: a composição política com o presidente da Câmara, Eduardo Gordo, e mais 11 vereadores, entre atuais e eleitos. Uma movimentação que envolve, além de espaço no governo, a presidência da Câmara numa hipotética reeleição de Eduardo Gordo, que ainda espera julgamento no TSE.
A aliança Mulim-Gordo não foi bem digerida por parcela do eleitorado, e mesmo antes do lado de lá soltar o primeiro rojão para comemorar o tiro no pé do adversário, eis que surgem fatos logo explorados como políticos pela candidatura Mulim na conta da campanha pedetista. Primeiro, materiais de campanha do PR são destruídos por supostos vândalos à serviço da candidatura Konder. Depois, funcionários comissionados (políticos) da prefeitura são flagrados (sic) fazendo política (sic) para o candidato do governo. Bom, não resisto a um comentário: é como um moralista reclamar da paisagem de uma praia num lindo dia de sol...
Coisas de campanha, amado leitor. Nenhum vândalo foi pego e até agora nenhuma moça foi presa por atentado ao pudor, e, se fato ou factóide, o burburinho repercutiu na imprensa, televisão e, claro, nas redes sociais. Se era porco ou tomada, não sabemos. O caso criou uma cortina de fumaça no eleitorado ao mesmo tempo que serviu de antídoto contra qualquer investida pedetista à aliança construída por Mulim com o presidente da Câmara.
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ECOS DO DEBATE
Foi ruim, morno e pouco esclarecedor. Mas registre-se o papel importante da OAB que desde 2008 se esforça em participar cada vez mais do dia a dia da cidade. Parabéns aos outros organizadores também.
Farei um resumo em cima daquilo que acho mais importante: como governar uma cidade enorme, com tantos problemas e com um orçamento baixíssimo para uma população como a nossa?
O desempenho individual dos candidatos foi sofrível. Mas até aí morreu Neves. Não estamos num concurso de miss simpatia. O que me interessou foi a resposta àquela pergunta acima.
O candidato Mulim (PR), da oposição, disse que vai governar com as "verbas carimbadas". É pouco. São Gonçalo é uma criança que precisa de ajuda (federal e estadual) para aprender a andar sozinha. A sua proposta de subsidiar o transporte público é inviável. Campos pode fazer isso. É autossuficiente devido à grana dos royalties. Até ele sabe disso, e para sustentar sua proposta e fechar a conta, utilizou-se do discurso anti-corrupção. São R$ 157 milhões o custo anual para os cofres públicos com a passagem a R$ 1,50.
Adolfo Konder foi mais assertivo e puxou o debate para o mundo real. Claro, é ele que tem as parcerias e usou e abusou desse fato como principal estratégia argumentativa para convencer o eleitor, sobretudo o eleitor indeciso. E acho que convenceu.
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
O PESO DAS ALIANÇAS EM SÃO GONÇALO
Amigo (e)leitor. Dia 28 é logo ali e a chapa esquenta. A peleja entre Konder e Mulim entra em sua fase final neste 2º turno e deixa clara pra gente os dois campos em disputa pela prefeitura.
Adolfo Konder (PDT), que no início da campanha era um ilustre desconhecido, segurou firme o timão e conseguiu chegar ao final do 1º turno com uma bela (e consolidada) vantagem frente aos seus concorrentes. Isso demonstra confiança da torcida pela equipe comandada pela professora Maria Aparecida desde 2005. A campanha de Adolfo Konder tinha três objetivos: óbvio, torná-lo conhecido ao eleitorado, colar à sua imagem à prefeita e ao seu bem avaliado governo e expor a necessidade de parcerias políticas para o desenvolvimento da pobre e sofrida cidade de São Gonçalo. Os quase 42% de preferência do eleitorado no 1º turno à candidatura Konder mostrou eficiência da estratégia pedetista.
Já a candidatura Neilton Mulim (PR), que chegou à frente de Graça Matos (PMDB) com pouco mais de 3 mil votos, montou uma chapa conservadora à direita, reunindo tucanos e demos, e precisou correr atrás do apoio da candidata derrotada para se manter competitivo na disputa. Por conta da presença de Anthony Garotinho em sua campanha, que impossibilitou o apoio do PMDB, sobrou para Mulin o apoio do PV, que saiu enfraquecido das eleições, e o apoio do grupo político do vereador e presidente da Câmara Eduardo Gordo, que congrega 11 parlamentares dentre os da atual legislatura e os marinheiros de primeira viagem.
Neste quadro, Adolfo Konder sai beneficiado porque não foi obrigado a mudar os rumos de sua estratégia do 1º turno. Pelo contrário. Os apoios do PMDB e do PP aprofundam a estratégia das parcerias, em que as maiores estrelas agora são o governador Sérgio Cabral e o senador Francisco Dornelles. Konder, que já tinha o apoio dos senadores Lindbergh e Crivela, além do apoio do governo federal, fecha o arco de alianças e isola o adversário numa trincheira política que não se mostrou eficiente no 1º turno, que foi explorar o fato de Konder não ser natural de uma cidade onde 70% de sua população também não o é. O slogan Não Voto em Forasteiro definitivamente não funcionou.
Por força das circunstâncias, a candidatura do PR foi obrigada a fazer um ajuste na rota ao abrigar o grupo do vereador Eduardo Gordo em sua campanha e num hipotético governo. A notícia desta aliança não está sendo digerida com facilidade por uma parcela do eleitorado, que identifica em Eduardo Gordo o fisiologismo e tradicionalismo políticos tão praticados e cada vez mais rejeitados. Haja vista a renovação espetacular de 80% dos vereadores nesta eleição, e a própria queda da votação de Eduardo Gordo - que teve a sua candidatura impugnada pelo TRE sob a Lei da Ficha Limpa, mas espera julgamento do recurso no TSE.
Este apoio, portanto, deve ter um impacto mais negativo que positivo na campanha Mulim, sobretudo nos votos das camadas médias da sociedade gonçalense que migravam naturalmente para a sua candidatura após as derrotas de seus candidatos no 1º turno. A tendência, a partir de agora, é a escolha pelo voto nulo ou abstenção. Ou até o voto útil na candidatura Konder, porém em menor escala, para barrar a ameaça de vitória da política fisiologista e tradicionalista em São Gonçalo. Mulim deu um tiro no pé e, ironicamente, pode perder a eleição justamente por conta do apoio de políticos tradicionais da cidade.
Adolfo Konder (PDT), que no início da campanha era um ilustre desconhecido, segurou firme o timão e conseguiu chegar ao final do 1º turno com uma bela (e consolidada) vantagem frente aos seus concorrentes. Isso demonstra confiança da torcida pela equipe comandada pela professora Maria Aparecida desde 2005. A campanha de Adolfo Konder tinha três objetivos: óbvio, torná-lo conhecido ao eleitorado, colar à sua imagem à prefeita e ao seu bem avaliado governo e expor a necessidade de parcerias políticas para o desenvolvimento da pobre e sofrida cidade de São Gonçalo. Os quase 42% de preferência do eleitorado no 1º turno à candidatura Konder mostrou eficiência da estratégia pedetista.
Já a candidatura Neilton Mulim (PR), que chegou à frente de Graça Matos (PMDB) com pouco mais de 3 mil votos, montou uma chapa conservadora à direita, reunindo tucanos e demos, e precisou correr atrás do apoio da candidata derrotada para se manter competitivo na disputa. Por conta da presença de Anthony Garotinho em sua campanha, que impossibilitou o apoio do PMDB, sobrou para Mulin o apoio do PV, que saiu enfraquecido das eleições, e o apoio do grupo político do vereador e presidente da Câmara Eduardo Gordo, que congrega 11 parlamentares dentre os da atual legislatura e os marinheiros de primeira viagem.
Neste quadro, Adolfo Konder sai beneficiado porque não foi obrigado a mudar os rumos de sua estratégia do 1º turno. Pelo contrário. Os apoios do PMDB e do PP aprofundam a estratégia das parcerias, em que as maiores estrelas agora são o governador Sérgio Cabral e o senador Francisco Dornelles. Konder, que já tinha o apoio dos senadores Lindbergh e Crivela, além do apoio do governo federal, fecha o arco de alianças e isola o adversário numa trincheira política que não se mostrou eficiente no 1º turno, que foi explorar o fato de Konder não ser natural de uma cidade onde 70% de sua população também não o é. O slogan Não Voto em Forasteiro definitivamente não funcionou.
Por força das circunstâncias, a candidatura do PR foi obrigada a fazer um ajuste na rota ao abrigar o grupo do vereador Eduardo Gordo em sua campanha e num hipotético governo. A notícia desta aliança não está sendo digerida com facilidade por uma parcela do eleitorado, que identifica em Eduardo Gordo o fisiologismo e tradicionalismo políticos tão praticados e cada vez mais rejeitados. Haja vista a renovação espetacular de 80% dos vereadores nesta eleição, e a própria queda da votação de Eduardo Gordo - que teve a sua candidatura impugnada pelo TRE sob a Lei da Ficha Limpa, mas espera julgamento do recurso no TSE.
Este apoio, portanto, deve ter um impacto mais negativo que positivo na campanha Mulim, sobretudo nos votos das camadas médias da sociedade gonçalense que migravam naturalmente para a sua candidatura após as derrotas de seus candidatos no 1º turno. A tendência, a partir de agora, é a escolha pelo voto nulo ou abstenção. Ou até o voto útil na candidatura Konder, porém em menor escala, para barrar a ameaça de vitória da política fisiologista e tradicionalista em São Gonçalo. Mulim deu um tiro no pé e, ironicamente, pode perder a eleição justamente por conta do apoio de políticos tradicionais da cidade.
terça-feira, 16 de outubro de 2012
SÃO GONÇALO É O PARAÍSO DA OPOSIÇÃO
Meu nobre leitor, São Gonçalo é uma cidade enorme, ficou anos abandonada e por isso mesmo acumulou índices de desenvolvimento humano perversos. Aqui nesta freguesia, portanto, é mamão com açúcar o discurso da oposição colar num ouvido incauto.
Porém, permita-me fazer uma breve narrativa euclidiana acerca de tal geografia citadina à leste da província de São Sebastião do Rio de Janeiro, banhada pelo esgoto industrial que chamam Guanabara e fronteiriça à Praia Grande e às terras do Barão de Maricá e do Visconde.
A freguesia de São Gonçalo do Amarante possui pouco mais de 256 km² de terras quase que totalmente ocupadas por 1 milhão e tantas almas. É a 2º mais populosa do estado e a 16ª do Brasil. Mas esses dados nos dão uma falsa noção de grandeza levando em consideração o orçamento nanico de R$ 670 milhões que obriga o administrador ser bom no rebolado fiscal e flertar permanentemente com outras instâncias do poder a fim de fechar as contas e satisfazer ao cada dia mais exigente (e impaciente) contribuinte gonçalense. Para se ter apenas ideia de uma cidade parecida (mesmo que de longe) com São Gonçalo, Guarulhos tem uma receita de mais de 2 bilhões de reais por ano.
Fazendo uma matemática rudimentar, se distribuirmos o nosso quinhão pelas almas desta freguesia, teremos R$ 67,00 por cabeça. E se levarmos em consideração que 53% da "fortuna" arrecadada vai para o funcionalismo, restam pouco mais de 30 reais per capita gastos por ano com nossas crianças e velhos, tanto em educação e em saúde; pavimentação, manutenção dos semáforos etc, etc. e põe etc nisso. Daí, meu perplexo leitor, a nossa inevitável dependência aos cofres da União e do estado, tanto em repasses por força de lei como por força do entendimento e boa vontade políticos. Somos a cidade no Brasil que mais depende das voltas que a política dá para fazermos alguma coisa que não seja choramingar com pires na mão.
Por obra e graça dos gênios da raça papa-goiaba dos anos 50 e 60 do passado século XX, a freguesia foi incapaz de planejar o seu futuro a longo prazo, além de permitir o seu inchaço pelas franjas do município, de modo omisso e criminoso, seja pelos inacreditáveis loteamentos ou pela posse irregular de terras públicas em áreas de mangue às margens, da também mal planejada, BR 101. Some-se a isso o esvaziamento industrial sob o olhar impassível da rapaziada que ora residia à Feliciano Sodré, Nº 100, representação maior de nossa municipalidade.
Bem-quisto leitor. Sabes que te amo e em verdade vos digo: São Gonçalo é um problema. Ela não tem problemas. Ela mesma é o problema. Lamento dizer que aqui neste pedacinho de céu e terra de pipa e bola de gude da minha infância, foi-nos reservado indignação, sofrimento e resignação. Sim, porque durante muitos anos ficamos reféns de uma trama diabólica que nos empurrou para a periferia da periferia; uma trama que nos legou como depositório de gente, um lugar onde apenas permitido construir pracinhas sem coreto, que ao menos nos servisse de púlpito a levantar nossa voz contra aquele estado de coisas tão afeito à viralatice papa-goiaba que deixou imerso nas sombras o futuro desta cidade. Oxalá conosco estivesse o maior de todos os não-gonçalenses, Luiz Palmier, mas este aí morreu tristonho, creio, ao ver tanta patacoada.
Para uma parcela considerável de São Gonçalo, nada que se faça se corrige. É o melhor lugar para se fazer estágio oposicionista. Todos aqui são oposição. Ser de oposição nestas terras é quase um nirvana, uma catarse, que atinge até o mais fervoroso defensor do governo. Qualquer governo. Há uma expressão (e se não há, eu assumo a autoria) que fazer alguma coisa de bom por essas bandas é como esvaziar açude cheio com cumbuca rasa. Ninguém nunca vê o resultado. Os problemas são tantos e vários, que o governo tem que se policiar pra não esculhambar e fazer oposição a si mesmo também.
Então, leitor, peço serenidade e juízo no dia 28 de outubro do ano de Nosso Senhor de 2012.
Porém, permita-me fazer uma breve narrativa euclidiana acerca de tal geografia citadina à leste da província de São Sebastião do Rio de Janeiro, banhada pelo esgoto industrial que chamam Guanabara e fronteiriça à Praia Grande e às terras do Barão de Maricá e do Visconde.
A freguesia de São Gonçalo do Amarante possui pouco mais de 256 km² de terras quase que totalmente ocupadas por 1 milhão e tantas almas. É a 2º mais populosa do estado e a 16ª do Brasil. Mas esses dados nos dão uma falsa noção de grandeza levando em consideração o orçamento nanico de R$ 670 milhões que obriga o administrador ser bom no rebolado fiscal e flertar permanentemente com outras instâncias do poder a fim de fechar as contas e satisfazer ao cada dia mais exigente (e impaciente) contribuinte gonçalense. Para se ter apenas ideia de uma cidade parecida (mesmo que de longe) com São Gonçalo, Guarulhos tem uma receita de mais de 2 bilhões de reais por ano.
Fazendo uma matemática rudimentar, se distribuirmos o nosso quinhão pelas almas desta freguesia, teremos R$ 67,00 por cabeça. E se levarmos em consideração que 53% da "fortuna" arrecadada vai para o funcionalismo, restam pouco mais de 30 reais per capita gastos por ano com nossas crianças e velhos, tanto em educação e em saúde; pavimentação, manutenção dos semáforos etc, etc. e põe etc nisso. Daí, meu perplexo leitor, a nossa inevitável dependência aos cofres da União e do estado, tanto em repasses por força de lei como por força do entendimento e boa vontade políticos. Somos a cidade no Brasil que mais depende das voltas que a política dá para fazermos alguma coisa que não seja choramingar com pires na mão.
Por obra e graça dos gênios da raça papa-goiaba dos anos 50 e 60 do passado século XX, a freguesia foi incapaz de planejar o seu futuro a longo prazo, além de permitir o seu inchaço pelas franjas do município, de modo omisso e criminoso, seja pelos inacreditáveis loteamentos ou pela posse irregular de terras públicas em áreas de mangue às margens, da também mal planejada, BR 101. Some-se a isso o esvaziamento industrial sob o olhar impassível da rapaziada que ora residia à Feliciano Sodré, Nº 100, representação maior de nossa municipalidade.
Bem-quisto leitor. Sabes que te amo e em verdade vos digo: São Gonçalo é um problema. Ela não tem problemas. Ela mesma é o problema. Lamento dizer que aqui neste pedacinho de céu e terra de pipa e bola de gude da minha infância, foi-nos reservado indignação, sofrimento e resignação. Sim, porque durante muitos anos ficamos reféns de uma trama diabólica que nos empurrou para a periferia da periferia; uma trama que nos legou como depositório de gente, um lugar onde apenas permitido construir pracinhas sem coreto, que ao menos nos servisse de púlpito a levantar nossa voz contra aquele estado de coisas tão afeito à viralatice papa-goiaba que deixou imerso nas sombras o futuro desta cidade. Oxalá conosco estivesse o maior de todos os não-gonçalenses, Luiz Palmier, mas este aí morreu tristonho, creio, ao ver tanta patacoada.
Para uma parcela considerável de São Gonçalo, nada que se faça se corrige. É o melhor lugar para se fazer estágio oposicionista. Todos aqui são oposição. Ser de oposição nestas terras é quase um nirvana, uma catarse, que atinge até o mais fervoroso defensor do governo. Qualquer governo. Há uma expressão (e se não há, eu assumo a autoria) que fazer alguma coisa de bom por essas bandas é como esvaziar açude cheio com cumbuca rasa. Ninguém nunca vê o resultado. Os problemas são tantos e vários, que o governo tem que se policiar pra não esculhambar e fazer oposição a si mesmo também.
Então, leitor, peço serenidade e juízo no dia 28 de outubro do ano de Nosso Senhor de 2012.
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
PRA ONDE VÃO OS VOTOS DO JOSEMAR?
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| Neguim arretado |
Primeiro, leitor, quero deixar o registro e os parabéns aos trepidantes militantes do PSOL gonçalense. E claro, em especial, ao Professor Josemar Carvalho, um querido colega e amigo. Conquistar os 19,5 mil votos com uma estrutura pequena de campanha numa cidade enorme como São Gonçalo é uma hercúlea tarefa.
Feito, aqui, o devido cafuné na rapaziada, vamos ao que interessa.
Pra onde vai esse capital (ops!) de quase 20 mil almas obtido por socialistas e comunistas no último dia 7 de outubro? Qual candidatura mais sentirá na face o sopro da primavera psolista, cantada em prosa e verso a partir do Rio de Janeiro com o gonçalense Marcelo Freixo?
Este escriba arrisca alguns palpites. Todos sabemos que o PSOL é uma dissidência do PT surgido após as tensões internas por obra e graça do (bendito ou famigerado, aí é ao gosto do freguês) escândalo do mensalão. Tanto Freixo quanto Josemar têm suas origens no Partido dos Trabalhadores. Ambos são fortemente guiados por suas convicções ideológicas e práticas políticas da esquerda socialista. Portanto, arrisco-me a dizer que é impossível o Professor Josemar apoiar o candidato de centro-direita Neilton Mulim, que tem o tonitroante Pastor Malafaia como aliado, cabo eleitoral e guia espiritual.
E, embora a candidatura Konder esteja num campo ideológico mais à esquerda, também não acredito que Josemar se decidirá em marchar com o PDT (que tem o PT como vice) no segundo turno. Por uma necessidade tática para obter votos, o PSOL foi o que mais bateu na gestão Aparecida e, consequentemente, em Adolfo Konder. Desta feita, creio que Josemar irá se abster no 2º turno. Mas, e os seus eleitores?
Divido os eleitores do PSOL nessas eleições em três categorias, em sua grande maioria jovens: os ideológicos, os ideológicos-inconformados e os pura e simplesmente inconformados. Os primeiros têm uma visão política mais ampla porque mais participativa, são informados e tendem a votar no campo da esquerda para isolar a direita na cidade. Os segundos são ativistas partidários que, por conta da visibilidade social e política na campanha, tendem a ter postura mais radical e pregar - não necessariamente votar - no voto nulo. Os terceiros desde o início serviram de linhas auxiliares das campanhas Graça e Mulim de ataque a Konder, utilizando-se e reforçando a linha de ataque promovida pelo PSOL ao governo e à candidatura de sua continuidade. Sempre foram, no fundo, mais anti-Konder do que qualquer outra coisa.
Na minha visão os votos ficarão divididos entre Konder, nulos e Mulim, com uma sensível vantagem para Konder.
Atualizando: veja nota do Professor Josemar que saiu no dia seguinte a esse post aqui.
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