Sabe, leitor, não tenho a menor vontade e necessidade de sair de São Gonçalo. Sendo assim, acompanho com a atenção o que acontece na cidade. Eu quero imensamente o seu bem. Entendo que a cidade precisa de mim que a amo, que a conheço, para poder contribuir para o seu desenvolvimento e a consequente melhoria de minha qualidade de vida.
Pois ouvi, estupefato, de alguns amigos que o Gilberto Palmares quer porque quer se candidatar a prefeito de São Gonçalo. Hum... Os mesmos interlocutores afirmaram que ele tem o apoio do senador Lindberg Farias. Hum... E que a executiva nacional do PT apoia o seu pleito.... Hum...
Um dos correligionários do deputado Palmares se aproxima e solfeja a cantilena baba-ovo de quem tem alguma matrícula comissionada do Estado. Vi também que o colega empolgado fazia-me perceber o Nextel sôfrego, rezando para alguém pelo menos do 5º escalão do poder apitasse e atestasse o ridículo daquele ser patético.
Deixei o idiota falar e me fazer de standim nessa tragi-comédia.
_ Ele conhece a Curva do S? - perguntei.
_ O quê??? reage incrédulo.
_ Curva do S!? - insisti.
_ O que esse cara tá falando?? - retruca para os seus pares.
Fiz crer ao sujeito que o meu respeito e voto pertencem àquele que conhece a Curva do S, que conhece e vive essa cidade. São Gonçalo é minha cidade e não admito que ninguém que não conheça a Curva do S venha para cá botar banca de prefeito.
Tenho dito!
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
O ANDARILHO MULATO PELA FREGUESIA DE GONÇA
Hoje estava eu numa situação involuntária esperando a chuva passar. Aproveitei para pedir um bojudinha da Antarctica, bater papo e ver o jogo do C.R. Vasco da Gama que passeou em São Januário contra o Ceará decidindo o certame por três tentos a um.
Nessa, saquei da mochila alguns jornais antigos que são o meu portfólio. Lá estava o Apologia, edição 15 (curiosidade: feito na casa do André Correia em 2007), com uma crônica do Lima Barreto sobre São Gonçalo escrita em 1908. Pensei: vou republicar o texto para o valoroso leitor deste blog.
Ah, como eu queria que o secretário de cultura de São Gonçalo conhecesse Lima Barreto...
Diário Íntimo. 10 de fevereiro de 1908
por Lima Barreto
Fui ontem a São Gonçalo. É um município limítrofe ao de Niterói. Fui à casa do Uzeda. Uzeda é um segundo oficial da Secretaria da Guerra, casado com uma professora pública do lugar.
Embarquei às oito e meia no Largo do Paço; fazia uma manhã quente e feia, ensombrada de nuvens. Encontrei o Pinho, um meu antigo colega da Escola Politécnica. Vinha de exercícios práticos. Soberbamente insuportável. Indagando da produção do município, não me soube informar com simplicidade. Atribuiu a falta da lavoura à indolência do povo. Tive vontade de perguntar se ele, engenheiro, tendo estudado a química, física e história natural, dava um exemplo salutar, cultivando o sítio onde morava. Calei-me, e foi dizendo bobagens. Fez uma crítica severa às tarifas do Tramway Rural Fluminense. É isto uma pequena estrada de ferro, com carros abertos ao jeito de bondes, que liga as Neves ao município de São Gonçalo. E uma coisa tosca, necessariamente exigindo para a sua manutenção uma série de medidas empíricas, que a prática dita; o idiota do Pinho quer que ela se guie pelos princípios tarifários que regem os fretes das grandes vias-férreas. Disse-me coisas proveitosas, que, por exemplo — o esforço da tração era o mesmo na descida que na subida. É profundo.
As Neves não tiveram, para os meus olhos, nada de notável. Têm o aspecto comum dos nossos postos afastados e edificados. Casas baixas, pintadas de azul, de oca; janelas quadradas; espessas escadas de tijolos e pedras, que dão acesso a portas baixas; fisionomias indolentes de homens pelas portas das vendas; mulheres: negras, brancas e mulatas — tristes, de longos olhares, em que há desejos de volúpias e sonhos de festas, de bailes, fantásticos, de envolvedoras agitações de todo o corpo, capazes de as fazerem esquecer e quebrar a monotonia daquela vida pobre e triste que levam, tão parecida ainda com a senzala, em que o chicote disciplinador de outrora ficou transformado na dureza, na pressão, na dificuldade do pão nosso de cada dia.
Tomei o tramway. Fui vendo o caminho. A linha é construída sobre a velha estrada de rodagem. Em breve, deixamos toda a atmosfera urbana, para ver a rural. Há casas novas, os chalets, mas há também as velhas casas de colunas heterodoxas e varanda de parapeito, a lembrar a escravatura e o sistema da antiga lavoura. Corre o caminho por entre colinas, há pouca mata, laranjeiras muitas, algumas mangueiras.
Eu, olhando aquelas casas e aqueles caminhos, lembrei-me da minha vida, dos meus avós escravos e, não sei como, lembrei-me de algumas frases ouvidas no meu âmbito familiar, que me davam vagas notícias das origens da minha avó materna, Geraldina. Era de São Gonçalo, de Cubandê, onde eram lavradores os Pereiras de Carvalho, de quem era ela cria.
Lembrando-me disso, eu olhei as árvores da estrada com mais simpatia. Eram muito novas; nenhuma delas teria visto minha avó passar, caminho da corte, quando os seus senhores vieram estabelecer-se na cidade. Isso devia ter sido por 1840, ou antes, e nenhuma delas tinha a venerável idade de setenta anos. Entretanto, eu não pude deixar de procurar nos traços de um molequinho que me cortou o caminho, algumas vagas semelhanças com os meus. Quem sabe se eu não tinha parentes, quem sabe se não havia gente do meu sangue naqueles párias que passavam cheios de melancolia, passivos e indiferentes, como fragmentos de uma poderosa nau que as grandes forças da natureza desfizeram e cujos pedaços vão pelo oceano afora, sem consciência do seu destino e de sua força interior.
Entretanto, embora enchesse-me de tristeza o seu estado, eu não pude deixar de lembrar-me, sem algum orgulho, que o meu sangue, parente do seu, depois de volta de três quartos de século, voltava àquelas paragens radiante de mocidade, saturado de noções superiores, sonhando grandes destinos, para ser recebido em casa de pessoas que, se não foram senhores dele, durante algum tempo, tinha-o sido de outrem da mesma origem que o meu.
Eu vi também pelo caminho uma grande casa solarenga, em meio de um grande terreno, murado com um forte muro de pedra e cal. Estava em abandono, grandes panos do muro caídos e as aberturas fechadas com frágeis cercas de bambus. Eu me lembrei que a grande família de cuja escravatura saíra minha avó, tinha se extinguido, e que deles, diretamente, pelos laços de sangue e de adoção, só restavam um punhado de mulatos, muitos, trinta ou mais, de várias condições, e eu era o que mais prometia e o que mais ambições tinha.
Ela fora mais caipora do que aquele muro sólido, porque extinguira-se, caíra de todo e não deixara da sua linha direta nenhum rastro.
Cheguei à casa do Uzeda.
Antes vi a vila. Há uma grande rua principal, com uma imensa matriz a cavaleiro dela, e toscas casas que a arruam. O trem passa embaixo e, junto ao paço municipal, é macadamizada. A câmara municipal é um caixão ignóbil. Não sei porque nós não sabemos fazer esses edifícios com o gosto que os arquitetos da Idade Média faziam os dos seus burgos. Que infâmia é a que vi! Entretanto, é moderna, tem menos de vinte anos. A capela tem o acabamento das torres em pirâmide; é sem gosto e soturna; não há uma casa com sentimento, e a gente tem o que ver, apenas nas das colunas, em que a escravidão pôs seus sofrimentos e as suas recordações.
A mulher do Uzeda é rapariga anêmica, dessas nossas que a mocidade sabe dar um brilho singular com a sua fragilidade, mas que a maternidade e o tempo empanam e estiolam de modo lastimável. É morena, de curtos cabelos. Rosto em V, bom, para um rapaz inteligente, e que nela, com seus hábitos de paciência que o professorado dá, empresta uma singular fisionomia de freira, que o olho direito mais estreito faz quebrar com certa canalhice.
Nessa, saquei da mochila alguns jornais antigos que são o meu portfólio. Lá estava o Apologia, edição 15 (curiosidade: feito na casa do André Correia em 2007), com uma crônica do Lima Barreto sobre São Gonçalo escrita em 1908. Pensei: vou republicar o texto para o valoroso leitor deste blog.
Ah, como eu queria que o secretário de cultura de São Gonçalo conhecesse Lima Barreto...
Diário Íntimo. 10 de fevereiro de 1908
por Lima Barreto
Fui ontem a São Gonçalo. É um município limítrofe ao de Niterói. Fui à casa do Uzeda. Uzeda é um segundo oficial da Secretaria da Guerra, casado com uma professora pública do lugar.
Embarquei às oito e meia no Largo do Paço; fazia uma manhã quente e feia, ensombrada de nuvens. Encontrei o Pinho, um meu antigo colega da Escola Politécnica. Vinha de exercícios práticos. Soberbamente insuportável. Indagando da produção do município, não me soube informar com simplicidade. Atribuiu a falta da lavoura à indolência do povo. Tive vontade de perguntar se ele, engenheiro, tendo estudado a química, física e história natural, dava um exemplo salutar, cultivando o sítio onde morava. Calei-me, e foi dizendo bobagens. Fez uma crítica severa às tarifas do Tramway Rural Fluminense. É isto uma pequena estrada de ferro, com carros abertos ao jeito de bondes, que liga as Neves ao município de São Gonçalo. E uma coisa tosca, necessariamente exigindo para a sua manutenção uma série de medidas empíricas, que a prática dita; o idiota do Pinho quer que ela se guie pelos princípios tarifários que regem os fretes das grandes vias-férreas. Disse-me coisas proveitosas, que, por exemplo — o esforço da tração era o mesmo na descida que na subida. É profundo.
As Neves não tiveram, para os meus olhos, nada de notável. Têm o aspecto comum dos nossos postos afastados e edificados. Casas baixas, pintadas de azul, de oca; janelas quadradas; espessas escadas de tijolos e pedras, que dão acesso a portas baixas; fisionomias indolentes de homens pelas portas das vendas; mulheres: negras, brancas e mulatas — tristes, de longos olhares, em que há desejos de volúpias e sonhos de festas, de bailes, fantásticos, de envolvedoras agitações de todo o corpo, capazes de as fazerem esquecer e quebrar a monotonia daquela vida pobre e triste que levam, tão parecida ainda com a senzala, em que o chicote disciplinador de outrora ficou transformado na dureza, na pressão, na dificuldade do pão nosso de cada dia.
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| Um lugar de mui pouca graça |
Tomei o tramway. Fui vendo o caminho. A linha é construída sobre a velha estrada de rodagem. Em breve, deixamos toda a atmosfera urbana, para ver a rural. Há casas novas, os chalets, mas há também as velhas casas de colunas heterodoxas e varanda de parapeito, a lembrar a escravatura e o sistema da antiga lavoura. Corre o caminho por entre colinas, há pouca mata, laranjeiras muitas, algumas mangueiras.
Eu, olhando aquelas casas e aqueles caminhos, lembrei-me da minha vida, dos meus avós escravos e, não sei como, lembrei-me de algumas frases ouvidas no meu âmbito familiar, que me davam vagas notícias das origens da minha avó materna, Geraldina. Era de São Gonçalo, de Cubandê, onde eram lavradores os Pereiras de Carvalho, de quem era ela cria.
Lembrando-me disso, eu olhei as árvores da estrada com mais simpatia. Eram muito novas; nenhuma delas teria visto minha avó passar, caminho da corte, quando os seus senhores vieram estabelecer-se na cidade. Isso devia ter sido por 1840, ou antes, e nenhuma delas tinha a venerável idade de setenta anos. Entretanto, eu não pude deixar de procurar nos traços de um molequinho que me cortou o caminho, algumas vagas semelhanças com os meus. Quem sabe se eu não tinha parentes, quem sabe se não havia gente do meu sangue naqueles párias que passavam cheios de melancolia, passivos e indiferentes, como fragmentos de uma poderosa nau que as grandes forças da natureza desfizeram e cujos pedaços vão pelo oceano afora, sem consciência do seu destino e de sua força interior.
Entretanto, embora enchesse-me de tristeza o seu estado, eu não pude deixar de lembrar-me, sem algum orgulho, que o meu sangue, parente do seu, depois de volta de três quartos de século, voltava àquelas paragens radiante de mocidade, saturado de noções superiores, sonhando grandes destinos, para ser recebido em casa de pessoas que, se não foram senhores dele, durante algum tempo, tinha-o sido de outrem da mesma origem que o meu.
Eu vi também pelo caminho uma grande casa solarenga, em meio de um grande terreno, murado com um forte muro de pedra e cal. Estava em abandono, grandes panos do muro caídos e as aberturas fechadas com frágeis cercas de bambus. Eu me lembrei que a grande família de cuja escravatura saíra minha avó, tinha se extinguido, e que deles, diretamente, pelos laços de sangue e de adoção, só restavam um punhado de mulatos, muitos, trinta ou mais, de várias condições, e eu era o que mais prometia e o que mais ambições tinha.
Ela fora mais caipora do que aquele muro sólido, porque extinguira-se, caíra de todo e não deixara da sua linha direta nenhum rastro.
Cheguei à casa do Uzeda.
Antes vi a vila. Há uma grande rua principal, com uma imensa matriz a cavaleiro dela, e toscas casas que a arruam. O trem passa embaixo e, junto ao paço municipal, é macadamizada. A câmara municipal é um caixão ignóbil. Não sei porque nós não sabemos fazer esses edifícios com o gosto que os arquitetos da Idade Média faziam os dos seus burgos. Que infâmia é a que vi! Entretanto, é moderna, tem menos de vinte anos. A capela tem o acabamento das torres em pirâmide; é sem gosto e soturna; não há uma casa com sentimento, e a gente tem o que ver, apenas nas das colunas, em que a escravidão pôs seus sofrimentos e as suas recordações.
A mulher do Uzeda é rapariga anêmica, dessas nossas que a mocidade sabe dar um brilho singular com a sua fragilidade, mas que a maternidade e o tempo empanam e estiolam de modo lastimável. É morena, de curtos cabelos. Rosto em V, bom, para um rapaz inteligente, e que nela, com seus hábitos de paciência que o professorado dá, empresta uma singular fisionomia de freira, que o olho direito mais estreito faz quebrar com certa canalhice.
O INTERESSE PÚBLICO É UMA FARSA
A democracia, nobilíssimo leitor, carrega consigo o veneno de sua destruição. Achincalhar e fragilizar esse sistema ao mesmo tempo delicado e sofisticado que rege o convívio e as relações humanas, vitória maior da civilização ocidental, é um pulo.
E é o que rapidamente vemos acontecer no mundo e no Brasil.
As premissas de igualdade (isonomia), liberdade e justiça para todos têm conotações diferentes para diferentes sociedades e culturas. E o ponto nevrálgico de suas fragilidades ou fortaleza é a forma como as riquezas produzidas por um país são distribuídas entre o seu povo.
Então, a democracia carece, principalmente, de equilíbrio. E só há equilíbrio possível dentro desse sistema se for para e através do interesse público. Mas que diabos é isso que chamamos de interesse público?
O interesse público é uma abstração - por mais que tenha elementos positivos de idealização majoritários - e fonte permanente de frustração individual. Não é raro o sujeito virar a cara quando uma imposição coletiva se faz maior aos seus interesses individuais. A democracia é a arte de fazer valer a vontade da maioria respeitando os direitos do indivíduo. Ó! eu sou um gênio.
Trabalhar para o interesse público é um saco. E diria ser quase impossível colocar em prática essa que é a maior das maiores virtudes da democracia. A política, que é a seiva que corre nas veias da democracia, se dá basicamente por agrupamentos ou interesses de classes, indivíduos e, hoje, principalmente, corporações.
Faça ver, leitor, na democracia jogamos permanentemente pelos nossos interesses neste grande campo do interesse coletivo (veja bem, coletivo não é o uno, o monólito) que é a res pública. É desgastante e impraticável manter na prática o discurso do interesse público porque simplesmente isso é inapalpável, uma abstração no mundo real da política cercado de poderosos interesses do capital, por exemplo.
Daí a política e o jogo de interesses serem exercidos de forma seletiva e compartimentada através do modelo representativo que tem no voto a maior expressão de sua vontade e legitimidade. Gostando ou não, tanto o Flávio Bolsonaro como o Marcelo Freixo têm legitimidade para defender os interesses daqueles que representam. Cada um defende a parcela do público que representam.
Em O Leviatã, Thomas Hobbes denomina uma categoria social que é conhecida por nós hoje como sociedade civil (há controvérsias...). "Civil", aí, não é o oposto ou uma contraposição a "militar". Tem muita gente boa que mistura os canais. A sociedade civil, neste caso, é regida por leis soberanas que dão forma às relações sociais e principalmente ao Estado. É o tal do contrato celebrado entre os cidadãos que tem no Estado o seu principal fiador e mantenedor.
Antes de celebrado o tal contrato as demandas sociais eram resolvidas na porrada. Após de "assinado" o contrato, é o Estado o árbitro de todos os conflitos sociais a partir do princípio da isonomia jurídica que é a chave de funcionamento do sistema democrático. Tudo passa pelo Estado. E quem controla o Estado?
Era o momento que eu estava esperando! Vamos deixar de ser prolixos e de conceituações e vamos logo ao que interessa: quem comanda o Estado hoje é o Partido dos Trabalhadores que alçou uma classe social para dentro do jogo de decisões políticas do Estado brasileiro. Isso incomoda uma parcela da sociedade que foi obrigada a ter na mesa de decisões os "caboquim."
Os "porta-vozes" de Vassouras (aqueles que bateram o pé contra a abolição até o último segundo do crepúsculo de Pedro II) fazem um jogo midiático perigoso contra o Governo e atentam frontalmente as instituições democráticas. Utilizam-se dos meios de comunicação para fabricarem um sentimento de repulsa da população ao governo Dilma Rousseff absolutamente inexistente.
Tenhamos cuidado. Cuidado com essas marchas "contra a corrupção". Cuidado com a Veja (clique neste link para ter uma noção do que é o jornalismo imparcial da revista) e cuidado com a bolinha de papel.
Nós, da tão falada Classe C, estamos, pela primeira vez na história deste país, saboreando o gostinho de sermos os protagonistas de nosso próprio destino. Conquistamos através de muita luta o direito de ter uma parcela maior da riqueza deste país. Ainda é pouco. Mas estamos no caminho certo embora tenhamos que estar sempre vigilantes.
A história está em nossas mãos. Vamos dar um cheque em branco ao PT? Claro que não. Mas devemos ter consciência que nós somos a base política e eleitoral de representação da maior parcela do público que há séculos ficou excluída do processo decisório deste país.
Corrupção de cu é rola, como diz um amigo meu. Não quero dizer que tolero esse tipo de coisa. Mas numa perspectiva mais abrangente isso passa a ser residual frente a um projeto de país no qual eu e você, leitor, somos pela primeira vez protagonistas. Roubou, polícia e justiça. Não se engane. O interesse público muitas das vezes é um engodo e não raramente usado como discurso para a prática de gigantescas sacanagens da forma mais abjeta contra o grosso do povo brasileiro.
E é o que rapidamente vemos acontecer no mundo e no Brasil.
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| Bolinha de papel não machuca, não... |
Então, a democracia carece, principalmente, de equilíbrio. E só há equilíbrio possível dentro desse sistema se for para e através do interesse público. Mas que diabos é isso que chamamos de interesse público?
O interesse público é uma abstração - por mais que tenha elementos positivos de idealização majoritários - e fonte permanente de frustração individual. Não é raro o sujeito virar a cara quando uma imposição coletiva se faz maior aos seus interesses individuais. A democracia é a arte de fazer valer a vontade da maioria respeitando os direitos do indivíduo. Ó! eu sou um gênio.
Trabalhar para o interesse público é um saco. E diria ser quase impossível colocar em prática essa que é a maior das maiores virtudes da democracia. A política, que é a seiva que corre nas veias da democracia, se dá basicamente por agrupamentos ou interesses de classes, indivíduos e, hoje, principalmente, corporações.
Faça ver, leitor, na democracia jogamos permanentemente pelos nossos interesses neste grande campo do interesse coletivo (veja bem, coletivo não é o uno, o monólito) que é a res pública. É desgastante e impraticável manter na prática o discurso do interesse público porque simplesmente isso é inapalpável, uma abstração no mundo real da política cercado de poderosos interesses do capital, por exemplo.
Daí a política e o jogo de interesses serem exercidos de forma seletiva e compartimentada através do modelo representativo que tem no voto a maior expressão de sua vontade e legitimidade. Gostando ou não, tanto o Flávio Bolsonaro como o Marcelo Freixo têm legitimidade para defender os interesses daqueles que representam. Cada um defende a parcela do público que representam.
Em O Leviatã, Thomas Hobbes denomina uma categoria social que é conhecida por nós hoje como sociedade civil (há controvérsias...). "Civil", aí, não é o oposto ou uma contraposição a "militar". Tem muita gente boa que mistura os canais. A sociedade civil, neste caso, é regida por leis soberanas que dão forma às relações sociais e principalmente ao Estado. É o tal do contrato celebrado entre os cidadãos que tem no Estado o seu principal fiador e mantenedor.
Antes de celebrado o tal contrato as demandas sociais eram resolvidas na porrada. Após de "assinado" o contrato, é o Estado o árbitro de todos os conflitos sociais a partir do princípio da isonomia jurídica que é a chave de funcionamento do sistema democrático. Tudo passa pelo Estado. E quem controla o Estado?
Era o momento que eu estava esperando! Vamos deixar de ser prolixos e de conceituações e vamos logo ao que interessa: quem comanda o Estado hoje é o Partido dos Trabalhadores que alçou uma classe social para dentro do jogo de decisões políticas do Estado brasileiro. Isso incomoda uma parcela da sociedade que foi obrigada a ter na mesa de decisões os "caboquim."
Os "porta-vozes" de Vassouras (aqueles que bateram o pé contra a abolição até o último segundo do crepúsculo de Pedro II) fazem um jogo midiático perigoso contra o Governo e atentam frontalmente as instituições democráticas. Utilizam-se dos meios de comunicação para fabricarem um sentimento de repulsa da população ao governo Dilma Rousseff absolutamente inexistente.
Tenhamos cuidado. Cuidado com essas marchas "contra a corrupção". Cuidado com a Veja (clique neste link para ter uma noção do que é o jornalismo imparcial da revista) e cuidado com a bolinha de papel.
Nós, da tão falada Classe C, estamos, pela primeira vez na história deste país, saboreando o gostinho de sermos os protagonistas de nosso próprio destino. Conquistamos através de muita luta o direito de ter uma parcela maior da riqueza deste país. Ainda é pouco. Mas estamos no caminho certo embora tenhamos que estar sempre vigilantes.
A história está em nossas mãos. Vamos dar um cheque em branco ao PT? Claro que não. Mas devemos ter consciência que nós somos a base política e eleitoral de representação da maior parcela do público que há séculos ficou excluída do processo decisório deste país.
Corrupção de cu é rola, como diz um amigo meu. Não quero dizer que tolero esse tipo de coisa. Mas numa perspectiva mais abrangente isso passa a ser residual frente a um projeto de país no qual eu e você, leitor, somos pela primeira vez protagonistas. Roubou, polícia e justiça. Não se engane. O interesse público muitas das vezes é um engodo e não raramente usado como discurso para a prática de gigantescas sacanagens da forma mais abjeta contra o grosso do povo brasileiro.
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
DENILSON E EU
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| Isso é cubismo puro! |
Eram aproximadamente 14 horas. Voltava da Câmara. Sempre passo na Câmara para filar um café e trocar idéias curtas com alguns amigos que prestam serviço ao Legislativo dessa freguesia de São Gonçalo.
Fui em direção ao lance de escada que dá para o estacionamento dos edis gonçalenses à frente de uma piscina que deveria harmonizar com um jardim inexistente do largo lateral da prefeitura. Queria fumar um cigarro à sombrinha de uma árvore dali.
Ah, leitor! Omiti uma informação importante: estava acompanhado do amigo Rheinaldo Baso que encontrara minutos antes por um desses acasos que se transvestem destino...
Antes de sentar-me, porém, o Portinari: Denilson, o seu nome. Sujeito agitado em meio ao calor de um inverno já derrotado pela primavera. Queixava-se de dor, cria. O gesso no braço também o incomodava decerto.
Os traços brutos daquele homem me lembraram imediatamente o Portinari. Precisava de sua história, portanto, para escrever esse post pra você. Essa minha cabeça tonta precisava de um endosso, este veio do Rheinaldo: "Sim Phill, é o Portinari! Temos um Portinari à nossa frente" - avalizou o amigo. (nota: algumas pessoas me conhecem pela carinhosa alcunha de Phill. Coisa de minha mãe. O estrangeirismo fica por conta do Tavinho do Blues Etílicos, mas isso é uma outra história....)
Puxei logo assunto a ver nele o Brasil. Denilson Pianchi de Moura é o seu nome de batismo. Soletra com desenvoltura o Pianchi. "Alguns falam 'xi' outros 'qui'", argumentou. Pensou oferecer identidade e atestar existência. Mas o desdobramento imediato da conversa nos levou a uma pequena tragédia do nosso amigo: foi atropelado na 18 do Forte. Levaram tudo que tinha. LEVARAM TUDO QUE TINHA: uma mochila, identidade e alguns trocados.
Denilson Pianchi de Moura é morador de rua. Disse que há três meses vive de calçada em calçada. Ia dizendo e bebericando a cachaça no copo de Guaravita. "Não tem remédio, só cachaça. Passa a dor", revela um tanto marotamente esperando de nós compadecimento. Como não houve a reação esperada, contentou-se queimar o cartucho pedinte com um cigarro.
Querendo ser útil e reverter tal desalento, ofereci a Denilson minha porção cidadã orientando-o e fazendo-o saber das alternativas que o Estado dá aos desvalidos. "Só tem maloqueiro! Abrigo só tem maloqueiro e é lá em Vista Alegre", retruca o escaldado e consciente desalojado. "Logo, logo tiro esse gesso e pego uma obra pra pagar aluguel. O doutor disse que semana que vem já tiro esse gesso", continuou, em meio a outra golada na branquinha.
Faltava a foto. Não sei quem era mais cínico, se eu ou o Denilson.
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| Denilson: pedreiro, morador de rua. A nossa galeria de personagens urbanas |
sábado, 27 de agosto de 2011
DAS DESILUSÕES DO AMOR: (UM) TEXTO
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| O trem já vem. O caminho é o mesmo. Basta virarem-se um para o outro... |
Hoje, às 20 horas, o meu grande, necessário e indispensável amigo Rheinaldo Baso, em companhia luxuosa do músico Leon Costa, estará no palco encenando uma peça composta de pequenos sacrifícios pessoais de todos que se envolveram na sua produção e execução logo mais no Teatro Carequinha.
Rheinaldo e eu discordamos conceitualmente sobre o que seja o amor. É isso mesmo leitor, o amor é um conceito. Nós nomeamos aquilo que identificamos pela própria experiência ou através da narrativa de terceiros que assimilamos e internalizamos até acreditarmos como nosso. Um jogo desesperado de aproximação inteligível a nós mesmos para que nos sirva de baliza ou parâmetro auto-explicativo e de proteção contra possíveis ou mesmo inevitáveis... desilusões.
Rheinaldo - e muita gente boa que o acompanha no espetáculo - vê o sofrimento como o substrato de uma desilusão amorosa. O amor para o nosso ilustre ator e para a maioria das pessoas, neste caso, se alimenta ou fenece, paradoxalmente, da instabilidade e das incertezas que sentimos no outro. É um sentimento que depende da resposta do outro. Aí é uma loucura!
O amor - neste caso chamarei de amor histórico - passa a ser uma quase-obsessão estética, para nós do Ocidente, no período de transição entre feudalismo e Era Moderna. O amor cristão (ou desapego à carne), que mais se encaixa numa concepção estoica de indiferença e distanciamento do objeto causador do sofrimento [a pessoa amada] fica recluso aos mosteiros e à margem do constructo cultural de fidelidade e devoção à monarquia e ao Estado.
Não à toa, caro leitor, despontar nesse mesmo período que conhecemos como Renascimento, as obras clássicas, das mais variadas áreas, que vão falar deste mesmo tema: O Príncipe (Maquiavel), Dom Quixote de la Mancha (Cervantes), Romeo e Julieta (Shakespeare) e a Divina Comédia (Dante) e tantos outros que subvertem a lógica da devoção ao Estado. Já Maquiavel o escancara... Também um assunto para outro post.
Particularmente acredito que o amor é único e indivisível, abrangente e penetrante. É o único sentimento autônomo e autóctone porque humano. Sendo assim, não cabe idealização no amor. Ele simplesmente é. Como a máxima bíblica-cristã: Deus é Amor, o que nos leva, por sua vez, ao Monte Sinai, à pergunta de Moisés e à resposta enigmática de Deus: Eu Sou o que Sou.
Mas para ilustrar o que falo, forneço a vocês um diálogo real entre dois amigos muito próximos que gentilmente liberaram um trecho da conversa que tiveram um com o outro via Skype:
Ela: seja o que for...não vai dar em nadaMeu insone leitor. Acho que vou terminar por aqui. Mas deixo você com o link da entrevista do Baso.
Ele: pq o fatalismo? pq o vatcínio?
Ela: pq é assim que vai ser. já decidi
Ele: vc soh se entregaria a mim novamente se tiver certeza q será a minha e única mulher, é isso?
Ela: isso também. já tivemos uma chance, rolou uma parada no momento certo e depois ficou aquela confusão. agora as coisas são diferentes. (...) mas isso não no sentido restritivo da coisa, de vc querer ficar com outras e não "poder" por estar comigo. Mas no sentido de optar por isso. de querer que seja assim
Ele: então quer dizer que o amor q sente por mim eh tão grande q não admite desilusão. e, por conta disso, prefere não viver o amor que sente?
Ela: rss. por aí
Ele: é isso? peraí, eu vou fumar um cigarro lah fora...
Entrevista clique Aqui
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
O APOLOGIA E O MOVIMENTO SOCIAL
Caríssimo leitor. Volto a postar um pouco da memória do glorioso e persistente Projeto Apologia. Desta vez o tema é movimento social e suas tecnologias de atuação.
Publicação original do Jornal DAKI ed. 9.
No chão Daki, andanças...
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| Vila Esperança ainda luta por urbanização |
Num dia nublado de dezembro de 2004 a kombi branca da UERJ adentra a comunidade da Vila Esperança. No simpático Volkswagen três estudantes e dois funcionários da universidade. Um deles era o Boroco, o motorista, ilustre morador do Porto Velho ali das bandas do Morro da Igreja.
Era a primeira vez que uma universidade entrava oficialmente naquela ocupação que até hoje luta para regularizar sua situação fundiária de pouco mais de 400 famílias que, à época, não contavam com o PAC para amenizar as incertezas com o futuro e muito menos o desespero de serem expulsas dali.
A ida do Apologia à comunidade logo se transformaria em parceria e inspiração para que os moradores procurassem a UFF e que juntos elaborassem um projeto de urbanização, o primeiro passo para a legalização das casas. “Não fomos ali para sugar a experiência daquelas pessoas e publicar em monografias que invariavelmente mofam nas prateleiras da biblioteca da faculdade. A nossa intenção era interagir para achar soluções práticas para aquele amontoado de problemas. Deu certo”, observa Helcio Albano.
Meses mais tarde outra comunidade faria o mesmo caminho que a Vila Esperança. Desta vez, a localidade de Sete Cruzes, no Arsenal. “O Jornal Apologia chegou às mãos de lideranças comunitárias que procuraram a gente. Foi então que fizemos a ponte entre eles e a Vila Esperança. Hoje a comunidade também faz o seu projeto pela UFF. Isso sim nos faz ficar orgulhosos”, relembra Mauricio Mendes, um dos coordenadores do Projeto Apologia na UERJ.
Ao todo, foram mais de 15 comunidades visitadas que desenvolveram parcerias com o Apologia das mais diferentes formas, além da Unibairros, a “associação das associações” de moradores de São Gonçalo.
EU E O APOLOGIA
Posto agora matéria do Jornal Daki edição nº 9 editado pela Editora Apologia Brasil.
Era uma vez um grupo de estudantes meio doidão no ano tenebroso de 2004 estudando numa faculdade de periferia do Rio de Janeiro.
Faço isso porque é uma história bonita, de luta, que vale a pena compartilhar com você, leitor.
O Apologia foi contemporâneo do Fazendo Media, que tinha uma linha diferente da nossa, cuidando de assuntos mais específicos do jornalismo. A galera do FM é do IACS da UFF.Mas com o mesmo espírito crítico, ousado e contestador.
O Apologia foi contemporâneo do Fazendo Media, que tinha uma linha diferente da nossa, cuidando de assuntos mais específicos do jornalismo. A galera do FM é do IACS da UFF.Mas com o mesmo espírito crítico, ousado e contestador.
Release apologético
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| Família Apologia num dos nossos eventos na FFP/UERJ. Foto de Rheinaldo Baso |
Era uma vez um grupo de estudantes meio doidão no ano tenebroso de 2004 estudando numa faculdade de periferia do Rio de Janeiro.
Gonçalenses, esses estudantes não se conformavam com o quadro de viralatice da cidade e da faculdade onde estudavam. Não se conformavam com a ordem cultural vigente que ordenava previamente a capitulação frente a qualquer possibilidade de guerra contra aquele imobilismo que feria a alma desses combatentes que se negavam a entrar mortos no “front” do magistério fluminense.
Formaram, no mesmo ano, o Grupo dos Iguais a fim de estudar, debater e propor alternativas à morte certa nesta cidade governada pelas trevas da ignorância e pela falta de iniciativa. Reuniam-se aos sábados na casa do Helcio Albano, no Porto Velho.
Os Iguais eram de vários cursos da Faculdade de Formação de Professores da UERJ, e logo produziram material que era discutido exaustivamente entre seus membros. Educação, Cultura, Política e Comunicação eram os assuntos que predominavam nos encontros matinais de fim de semana à Rua Lafaiete.
Mauricio Mendes, hoje geógrafo e professor, não demorou em propor ao grupo a criação do jornal para a publicação das idéias que então borbulhavam naquelas cabeças pensantes reunidas no Porto Velho. Surge, em 09 de agosto de 2004, o Jornal Apologia, que tinha distribuição restrita à UERJ de São Gonçalo.
O impacto da publicação nos estudantes foi imediato, o que impulsionou o grupo a atuar além dos muros da universidade e atingir à sociedade não acadêmica. Fundamental neste momento foi a então estudante de Letras, Joyce Braga, que articulou a primeira de várias parcerias com a própria UERJ, viabilizando a tiragem do jornal no formato tablóide com 20 mil exemplares distribuídos em todo o Rio de Janeiro.
A partir daí muita, muita história pra contar. Que dirá a PUC-Rio, na Gávea, que todo mês tinha que ouvir aqueles malucos chegarem e gritarem: SÃO GONÇALÔOOOO!
ITABORAÍ VIROU DISTRITO DE SÃO GONÇALO
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| Lula e Sérgio Gabriele em cima da Petrobras (trator) nas terras do Visconde |
Nessa mesma época, discutia em sessões privadas e acaloradas com a hoje geógrafa e socioambientalista Karla Karina (para mim sempre karenina) sobre o perigo de são-gonçalização de sua amada cidade vista por ela ali das terras do Outeiro. Enquanto políticos e até especialistas das ciências humanas falavam em repetição do que ocorreu em Macaé (crescimento sem inclusão social), Karenina e eu falávamos da possibilidade de adoção do modelo político de São Gonçalo em Itaboraí.
Também em 2006, quando estávamos na UERJ vivendo o glorioso projeto Apologia, promovemos um debate (isso mesmo leitor, um debate!) entre a Universidade, a Petrobras, o Estado (políticos) e os "caboquim", ou seja, nós, da tão falada e pouco entendida "sociedade civil". Único debate promovido até hoje envolvendo a Petrobras com essa envergadura.
O então Gerente de Responsabilidade Social e Programas Ambientais da Petróleo Brasileiro S.A. fez a mim algumas confidências que soltarei no seu tempo. Uma delas diz respeito ao temor da Petrobras com o desenrolar político na região. Estava em jogo o futuro do país dentro de uma estratégia de autossuficiência tanto em exploração como otimização industrial do petróleo e do capitalismo tal como Lula queria para o país. Assunto para um outro post.
Desta forma, foi desenvolvido um mapa político e sócio-cultural principalmente de Itaboraí e São Gonçalo. Os resultados e as posteriores análises deste mapa geopolítico precipitaram a criação de uma instância de discussões e tomadas de decisão que pudessem retirar de modo "consensual" e "democrático" o poder e autonomia absolutos das prefeituras.
Nasce o Conleste. Com Lula, a Petrobras passa a fazer política também. A faceta política do Comperj é o Conleste.
O que vemos hoje em Itaboraí são essas forças regionais se movimentando e se adequando às regras estabelecidas pela Petrobras. Daí o "avanço" dos grupos políticos consolidados de São Gonçalo para Itaboraí.
O terreno de disputa política gonçalense, ironicamente, se dará nas terras do Visconde.
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
FAZENDO MEDIA É BARRADO EM FACULDADE DO RIO
Magnânimo leitor. Acabo de saber, via twitter do grande deputado Chico Alencar, que o periódico universitário-carioca Fazendo Media foi barrado na porta da Universidade Cândido Mendes, Campus Tijuca.
Rapaz, vivemos uma era esquisitíssima. O coordenador da faculdade de jornalismo (é isso mesmo, de jornalismo) da instituição em questão alegou que sua atitude se baseia no fato do FM ser partidário e péla-saco de político, no caso, o próprio Chico.
O coordenador deve achar que os seus alunos não podem consumir certas informações. Sabe como é, tem muita gente subversiva por aí. E o FM pode fazer a cabeça de suas crianças para o mal. Não pode.
Conheço bem o FM. Inclusive já ajudei a minha querida amiga Jéssica Santos a diagramá-lo na época em que ela era colaboradora-estagiária do periódico.
Neste link, a nota do Fazendo Media.
Rapaz, vivemos uma era esquisitíssima. O coordenador da faculdade de jornalismo (é isso mesmo, de jornalismo) da instituição em questão alegou que sua atitude se baseia no fato do FM ser partidário e péla-saco de político, no caso, o próprio Chico.
O coordenador deve achar que os seus alunos não podem consumir certas informações. Sabe como é, tem muita gente subversiva por aí. E o FM pode fazer a cabeça de suas crianças para o mal. Não pode.
Conheço bem o FM. Inclusive já ajudei a minha querida amiga Jéssica Santos a diagramá-lo na época em que ela era colaboradora-estagiária do periódico.
Neste link, a nota do Fazendo Media.
POLÍTICA E AFINS
Meu acalantado leitor. Quero agora chamar a sua valiosa atenção para a entrevista do cientista político Marcos Nobre à revista Época dessa semana. Nessa entrevista o acurado analista é taxativo ao dizer que não existe oposição no Brasil por conta da peemedebização da política.
Deixo agora você com apenas um trechinho da entrevista. A versão completa você tem neste link do blog do grande Nassif:
O que resta para a oposição? - Pergunta a revista Época para o Marcos Nobre:
Você deve estar se perguntando por que diabos eu postei isso, né? É que logo-logo seremos chamados para a arena do debate. Ano que vem são eleições e o quadro é mais ou menos esse deste lado da Baía de Guanabara exposto pelo professor Nobre.
Todos concorrerão entre si pra ver quem mais chama atenção da professora...
Deixo agora você com apenas um trechinho da entrevista. A versão completa você tem neste link do blog do grande Nassif:
O que resta para a oposição? - Pergunta a revista Época para o Marcos Nobre:
Nada. A oposição só pode fazer o seguinte: ficar sentada esperando que alguma coisa dê errado para ver o poder cair em seu colo. Da maneira como está organizado o sistema, isso que eu chamo de peemedebismo de todo o sistema político, não há oposição. A oposição no Brasil existiu enquanto o PT estava na oposição. Depois que o PT virou governo, acabou a oposição. Repare: as duas primeiras pessoas que saíram em defesa do ministro Antonio Palocci foram Aécio Neves e José Serra. É inacreditável. Isso é expressão do peemedebismo da política brasileira. Você não tem situação e oposição. Só tem um sistema político e um Estado feudalizado. Tem feudos: Grupos de interesse que pegam uma determinada posição e se organizam de tal maneira que, quando você vai fazer alguma política que lhes digam respeito, tem de consultá-los, pois eles têm poder de veto. Então a política no Brasil é ficar contornando vetos. Lula só contornava esses vetos.
Você deve estar se perguntando por que diabos eu postei isso, né? É que logo-logo seremos chamados para a arena do debate. Ano que vem são eleições e o quadro é mais ou menos esse deste lado da Baía de Guanabara exposto pelo professor Nobre.
Todos concorrerão entre si pra ver quem mais chama atenção da professora...
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